Desde o final de 2009, quando fiz a seleção de doutorado para Sociologia, tenho me deparado mais claramente com um aspecto de cunho epistemológico que é o caráter normativo da pesquisa nas ciências sociais. Naquela ocasião, a banca questionou-me a cerca do mesmo no meu projeto. Nas vezes seguintes em que o projeto foi posto para discussão isso voltou a acontecer. Então, essa passou a ser uma questão a orientar meu olhar.
Lembro-me que desde o princípio da minha trajetória nas ciências sociais, sentia-me a vontade com perspectivas que deixassem claras suas posições e optava por estudos que me aproximassem de questões sociais. Aos poucos a construção da minha área de pesquisa foi se consolidado – educação – e este é um tema que não permite muito a omissão de uma posição.
Entretanto, qual é o sentido desse tal caráter normativo do qual as pesquisas precisam se distanciar? O que ocorre é que, geralmente, usamos uma lente (a la Geertz) para a compreensão do mundo, aquela própria da nossa cultura, dos nossos valores e aqui está o ponto chave, isto é, ao olharmos para os outros deve haver um deslocamento dessa lente. Ela não deixa de existir e é ela que possibilita a delimitação dos nossos objetos de estudo. Entretanto, o universo dos pesquisados é outro e não podemos atrelar a eles as nossas necessidades.
Essa introdução toda é porque agora mesmo estava lendo um texto e voltei a pensar sobre o caso da educação nessa perspectiva. É muito comum que as análises coloquem a educação como algo indiscutível em termos da sua obrigatoriedade e necessidade (direito), nesse momento esquecemos talvez que muitas pessoas não desejem isso para suas vidas ou não a desejam nos padrões que são mais comuns. E aí, como é que vamos compreender isso?? Talvez aí seja possível pensar a tão falada “crise da escola”. E como confrontamos isso com o direito universal à educação?
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
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