segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Inquietações


Lembro-me que desde quando comecei a escrever algumas contribuições para a Folha Caraense por volta de 2001, elaborei vários textos sobre educação, os quais versaram sobre os mais diferentes aspectos. Entretanto, um aspecto sempre foi recorrente – o distanciamento entre a escola e a realidade – aliás essa preocupação me persegue desde muito antes. Trata-se de um ponto debatido a exaustão e pouquíssimo praticado (como o que ocorre com boa parte das teorias pedagógicas).
Com o passar dos anos fui tendo novas experiências com essa área o que me possibilitou transitar um pouco mais no mundo prático, o que me fez perceber de forma mais nítida o quanto é difícil aproximar educação e realidade, fazer realmente a educação “ler a realidade” e, acima de tudo, transformá-la – o que tenho a convicção de que é a missão da escola.
Tudo isso para conseguir dizer que hoje, além dessa preocupação, passei a ter outra que me escandaliza a cada vez que reflito sobre ela. Não é preciso ser um estudioso sobre essa área para saber que a qualidade do ensino no Brasil está muito longe de ser satisfatório. Dados publicados pela Unesco no início do ano corroboram tal informação. Vale ressaltar que concomitante a isso os governos, nos seus discursos, apresentam preocupações relacionadas a tal situação. No entanto, qualquer pessoa que tenha o mínimo de proximidade com políticas públicas sabe que há um distanciamento muito grande entre a intenção e a implementação de um determinado programa, sobretudo, quando existem muitos atores no processo. Nesse caso, os educadores e suas práticas são elementos fundamentais nesse processo e que envolvem muitas variáveis para a análise, o que não estou disposta a apontar agora, embora esteja ciente da relevância e das implicações das mesmas.
Retomando o aspecto que pretendo ressaltar nesse momento, indico uma questão que requer um olhar muito apurado – trata-se das aprovações/reprovações que ocorrem de forma independente da aprendizagem. Aprendizagem?! Esse conceito é discutível e é necessário que seja. Continuando a explanação... Cada escola deve ter claro o que pretende, partindo disso cada área do conhecimento deve ter objetivos a serem atingidos e existem estudantes que em um ano letivo não atingem tais objetivos pelos mais variados motivos. Sendo assim, é minimamente coerente que tais estudantes sejam aprovados? Isso tem ocorrido, e não me parece ser exceção e sim regra nas nossas instituições de ensino. Devido a isso, temos cidadãos com o Ensino Médio completo que, por exemplo, não conseguem interpretar um texto simples. Se retomarmos a concepção inicial de que a educação tem como premissa importante contribuir para a leitura e transformação da realidade poderíamos afirmar que esse objetivo está sendo atingido? Não! Agora, se recorrermos às concepções da educação tradicional, bancária, conteudista, dentre tantas outras denominações que possa ter, estaria esse modelo cumprindo com seu objetivo? A resposta é a mesma: Não!
Então, o que podemos pensar disso tudo?

(http://www.youtube.com/watch?v=XM0jXqd4s7Q)

1 comentários:

Anônimo disse...

vanessilda, vamos atualizar isso aqui!!!