segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Coisificação do humano

Pessoas são coisas. Coisas adquirem vida. Sujeitos são aniquilados. Objetos ganham vida. Homens e mulheres são tratados como coisa e animalizados. Animais são humanizados. Pessoas não são o que são, mas o que vestem, o que têm, o que carregam.
O ser humano tem tido uma incrível capacidade de inverter valores. Exemplo não muito distante dessa situação é o mercado criado que transforma a relação estabelecida com alguns animais como gatos e cachorros que são, em alguns casos, tratados como se fossem pessoas, inclusive sendo atendidos por psicólogos especializados em bichos e com planos de saúde. Coisas que os seres humanos não têm acesso.
Essas situações retratam a forma perversa como o mercado é projetado nas relações humanas através do consumo desenfreado e consegue se fazer presente de forma intensa nas mais diversas esferas da vida humana, invertendo valores e se colocando como a base das relações. É desumana a forma como lidamos com essas situações, chegamos a um ponto em que crianças, homens e mulheres vivem nas ruas, passam fome e são ignorados aos olhos daqueles que diante dessa situação colocam animais na condição de seres humanos. Estamos diante da banalização das relações humanas, da convivência e aumentando o nível de individualismo, pois a partir do momento em que temos como recurso a possibilidade de alugar um amigo, estamos diante do pressuposto de que podemos tratar as pessoas de qualquer forma, porque quando precisarmos de alguém basta contarmos com o aluguel e não mais com laços verdadeiros.
Essas situações nos mostram que o consumo adquiriu uma dimensão tão grande na vida das pessoas que quando já não é mais suficiente consumir apenas bens materiais, materializamos as relações humanas para transformá-las em mercadoria. Isso dificulta o estabelecimento de laços, então para diminuir os vínculos afetivos que exigem dedicação e comprometimento passamos a direcioná-los para entes que de alguma forma são descartáveis.

1 comentários:

Vinicius Borges disse...

Adoro este teu texto, realmente muito bom, alem de ser a pura verdade.